A reação do gigante

Oi Gente,

Uma outra matéria em que aparece uma citação minha. Apesar de um início negativista, em minha opinião a mensagem é positiva. Retiremos o juízo de valor incluso nas palavras da jornalista Ana Luiza Herzog (a quem tenho profunda admiração), os fatos não negam: As empresas estão cada vez mais preocupadas com a Sustentabilidade Ambiental (da raça humana, obviamente)… hehe

Boa Leitura!

Alvo de críticas dos ambientalistas, o Wal-Mart tenta agora adotar uma estratégia sustentável para ganhar mercado — e a subsidiária brasileira é um dos destaques dessa iniciativa

 

Núñez, presidente do Wal-Mart no Brasil: mais perto dos fornecedores para avaliar o impacto de seus produtos e embalagens

Por Ana Luiza Herzog

EXAME Durante anos, o Wal-Mart, maior rede varejista e uma das maiores empresas do mundo, foi acusado de contribuir para o emporcalhamento do planeta, espremer de forma quase desumana fornecedores, pagar salários baixos e comprar produtos fabricados por crianças na Ásia. Para ter sempre preços mais baixos que os da concorrência, missão primordial do negócio desde sua fundação pelo americano Sam Walton, valia quase tudo. É evidente que ambientalistas, representantes de ONGs e políticos não poupariam uma companhia de tamanha visibilidade e poder. O ataque foi brutal e, há dois anos, a cúpula do Wal-Mart decidiu que era hora de mudar parte do jeito como vinha fazendo negócios e tentar, dessa forma, preservar o futuro da companhia. Em um evento promovido há pouco mais de um mês pelo jornal The Wall Street Journal nos Estados Unidos, Lee Scott, presidente mundial do Wal-Mart, deixou clara sua posição: “Não somos verdes”. Pragmático, Scott acrescentou que sua saga rumo à sustentabilidade ambiental e social é motivada menos pela vontade de conquistar o respeito dos ambientalistas e mais pela gana de economizar dinheiro — afirmação, que, obviamente, não provocou nenhuma simpatia nas ONGs.

A despeito das razões que movem o maior varejista do mundo, o fato é que há cada vez menos argumentos para observar com desdém o que o Wal-Mart vem fazendo pela causa ambiental. Uma das subsidiárias que se destacam nessa cruzada é a brasileira, que já adotou uma série de políticas globais. Uma delas determina que, até 2013, todos os fornecedores deverão ter diminuído em 5% o tamanho de suas embalagens — medida que deve reduzir o lixo e gerar economia de 3,4 bilhões de dólares para o Wal-Mart. Outra é que, até 2010, os 5 000 produtos de marca própria da empresa devem ser considerados “sustentáveis”, ou seja, livres de qualquer substância nociva ao meio ambiente e ao ser humano e com embalagens reduzidas ao mínimo possível. O resultado até agora? A resposta oficial da empresa dá a dimensão da dificuldade enfrentada: “O que já foi conquistado com relação a essas metas é tão pouco que nem merece ser citado”, diz Rita Oliveira, gerente de produtos sustentáveis do Wal-Mart.

 

O verde invade as prateleiras
Como os fornecedores da subsidiária brasileira do Wal-Mart estão se adaptando às exigências da empresa
Energia renovável
O fabricante do arroz Pilecco Nobre começará a produzir, nos próximos meses, energia da casca de arroz — resíduo antes destinado a aterros sanitários.Com a operação, poderá comercializar créditos de carbono
Menos riscos
Desde o final de 2007, a Boa Vista, fabricante de batata frita das marcas próprias do Wal-Mart, adotou um novo sistema de impressão em suas embalagens.Com isso, deixou de usar solventes potencialmente cancerígenos
Ecoeficiência
Desenvolvido pela Procter & Gamble com exclusividade para o Wal-Mart, o detergente em pó Ariel Oxiazul Ecomax faz menos espuma e, por isso, exige menos água no enxágüe daso urpas. Sua granulação mais densa também permitiu redução de cerca de 15% no volume da embalagem
Carbono neutro
A Petrópolis Paulista, fabricante de água mineral, lançou em 2007 a marca Petrópolis Athletic, que é carbono zero.Ag ora, a empresa se prepara para produzir um marca própria de água para o Wal-Mart, também com emissões de carbono neutralizadas

Ainda assim, a companhia começa a colecionar histórias que revelam quanto é capaz de desencadear mudanças no comportamento dos fornecedores e dos próprios funcionários, que vêm sendo instigados a participar cada vez mais desse processo. Nem todas essas alterações são complexas, onerosas ou incrivelmente inovadoras. Na verdade, a maioria delas é bastante simples, quase óbvia. Tome-se o exemplo da gaúcha Petit Sable, fabricante de biscoitos finos para marcas próprias do Wal-Mart. Em maio de 2007, Carine Marsico, coordenadora de embalagens da rede de varejo na Região Sul, e executivos da Petit Sable se reuniram para estudar como poderiam promover melhorias nos saquinhos dos petiscos. A primeira reação foi tentar achar um substituto mais ecologicamente correto para o plástico flexível. “Ficamos frustrados ao perceber que ainda não existe uma alternativa no mercado”, diz Isy Helale, sócio da Petit Sable. O grupo passou a estudar a troca do processo de impressão das embalagens — também sem sucesso. Foi só então que os executivos perceberam um detalhe importante: havia embalagem demais para biscoito de menos. Desde novembro, a altura dos saquinhos de 120 gramas foi reduzida de 22 para 18 centímetros e a Petit Sable diminuiu em 20% a quantidade de plástico usado. “Não consegui deixar de pensar como demoramos tanto para perceber qual a saída”, diz Helale.

Como o poder de ingerência do Wal-Mart nos fornecedores de produtos de marca própria é total, é nessa seara que a empresa deposita suas maiores expectativas de mudança. “Não há limite para o que podemos fazer com nossos produtos”, afirma o chileno Héctor Núñez, que assumiu a presidência da subsidiária brasileira da rede em janeiro deste ano. “Podemos simplesmente quebrar qualquer paradigma e mudar o comportamento da indústria.” Para ajudá-lo nesse processo, o Wal-Mart cercou-se de alguns parceiros. Um deles é a americana DuPont. Uma das primeiras a se mexer diante das mudanças climáticas, a DuPont construiu uma estratégia de crescimento baseada no lançamento de tecnologias verdes. Por causa dessa parceria, a paulista Boa Vista, fabricante de batatinha frita com marca própria do Wal-Mart, adotou o sistema de impressão da DuPont no final de 2007. Com isso, abandonou solventes potencialmente cancerígenos. Porém, o projeto mais complexo da DuPont com o Wal-Mart é o desenvolvimen to de uma embalagem para pizzas das marcas próprias — que levará, em média, 60% menos matéria-prima que a atual usada pelo mercado e dispensará a tradicional caixa de papel-cartão. A embalagem deve chegar aos supermercados no segundo semestre deste ano.

Apesar dos conflitos históricos, o Wal-Mart tem se aproximado de algumas ONGs. No Brasil, uma das mais próximas é a Imaflora, dedicada à promoção do uso sustentável da madeira e de outros ativos naturais. É com a ajuda dela que o Wal-Mart tem incentivado seus fornecedores a trocar o papel das embalagens e a madeira usada em muitos de seus produtos — antes sem garantia de procedência — pela matéria-prima certificada segundo os padrões do Conselho de Manejo Florestal (na sigla em inglês, FSC), o mais respeitado mundialmente. A partir de maio, as caixinhas de cotonete das marcas próprias, por exemplo, começam a chegar às lojas da rede com o papel-cartão certificado. Fazer esse tipo de substituição costuma ser uma operação complexa. O fabricante gaúcho de espetos para churrasco Mahler, por exemplo, que fornece para lojas do Wal-Mart na Região Sul, vem há dez meses fazendo testes para substituir a imbuia, madeira considerada nobre e de exploração controlada, por espécies de eucalipto provenientes de florestas plantadas certificadas. A empresa espera encontrar o tipo de madeira ideal nos próximos meses. Se conseguir, abrirá as portas para fornecer seus produtos a lojas que ainda não atende. “Estamos tendo um trabalho danado”, diz Vitor Mahler, diretor da empresa. “Mas estamos convencidos de que a questão ambiental vale o esforço.”

Para estimular os fornecedores a se adequar às novas exigências, o Wal-Mart usa como argumento não apenas seu incrível poder de compra (embora esse seja, obviamente, o melhor deles). Em dezembro passado, o varejista instalou em uma de suas lojas em Curitiba placas que dão mais visibilidade a produtos de fornecedores considerados avançados ambientalmente. É o caso do Ariel Oxiazul Ecomax. Desenvolvido pela Procter & Gamble com exclusividade para o Wal-Mart, o detergente em pó faz menos espuma e reduz o número de enxágües necessários na máquina de lavar, economizando água e energia. Outro exemplo é o arroz Pilecco Nobre, fabricado pela empresa de mesmo nome em Alegrete, no Rio Grande do Sul. Ainda neste semestre, a Pilecco começará a gerar energia da casca de arroz. O resíduo não só deixará de ir para aterros como dará à empresa a oportunidade de vender créditos de carbono por meio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), do Protocolo de Kyoto.

Paralelamente ao trabalho com os fornecedores, o Wal-Mart vem tocando outras iniciativas. Uma das mais visíveis é a loja que obedece ao conceito de lixo zero. Localizada em Porto Alegre, a unidade gera cerca de 70 toneladas de resíduos por mês — tudo é destinado para a reciclagem ou, no caso do lixo orgânico, para uma usina de compostagem, que o transforma em adubo. Um dos entraves à multiplicação desse tipo de loja é que, segundo o Wal-Mart, não há usinas de compostagem em número suficiente no país. “Não podemos batizar uma loja de lixo zero enquanto destinarmos os resíduos orgânicos a um aterro sanitário”, diz Yuri Feres, analista de sustentabilidade do Wal-Mart.

Em tempos de disputa cada vez mais acirrada por um espaço de destaque nas gôndolas, a conclusão óbvia é que a estratégia de diferenciação verde do Wal-Mart, a ser replicada em todas as lojas até o fim deste ano, deve semear uma competição na indústria. “Nosso primeiro passo foi nos aproximar dos fornecedores para analisar o impacto de seus produtos e embalagens”, diz Núñez, presidente do Wal-Mart. “Agora, vamos investigar como funciona toda a cadeia produtiva desses fornecedores.”

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